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Aninha Ferreira escreve para EXPRESSO: “Quando o não é sim”


Ouvir um NÃO, não é tão simples. Incomoda, no mínimo. Especialmente quando esperamos muito por algo, quando precisamos e queremos muito alguma coisa, quando a nossa única saída é descartada por um simples “não dá”. Logo, sentimentos negativos surgem contra quem impediu nossas vontades. É natural o desconforto, a revolta, o inconformismo imediato. A frustração de levar uma portada na cara, fere, mas fortalece e ensina demais. O “não” faz parte da vida, desde a infância. Há uma frase do Dalai Lama que diz algo que gosto bastante: “Às vezes, não conseguir o que você quer é uma tremenda sorte”. Alguns “nãos” nos preparam para coisas maiores, nos ajudam a aprender com a vida e, principalmente, com quem nos relacionamos. É o empurrão para buscarmos um “sim” com mais propósito e no tempo certo. O fracasso de hoje poderá nos levar para o sucesso de amanhã, de uma maneira completamente diferente. O não do mundo, muitas vezes, é o sim de Deus.

Quando as coisas não saem conforme planejamos, entendemos que não estamos no controle, que o mundo não é do nosso jeito, que as coisas vão além das nossas vontades. Além disso, nem tudo o que desejamos é o que realmente precisamos para sermos felizes e realizados de verdade. É claro que não teremos essa compreensão imediata, muitas vezes agimos como crianças birrentas, mas se olharmos para trás poderemos encontrar momentos em que o “não” aparentemente ruim, no final das contas, foi bom, foi um livramento… E isso só o tempo é capaz de explicar. O “não deu certo” é difícil de digerir, mas pode se transformar numa nova oportunidade para que você dê uma guinada na sua vida, pode ser um novo sopro de esperança quando você achava que já não tinha mais ar, entende?! É aquela coisa: “a gente só sabe a força que tem, quando é só ela que nos resta”.

Acredito muito que quando você faz o certo, quando se esforça para conseguir o “sim” e mesmo assim recebe o “não”, é porque tinha que ser assim. Deus sabe o que faz, de modo que, algumas perdas são os nossos maiores ganhos. Acredito que é uma maneira que Ele encontra de nos privar de certas dores. Como por exemplo, uma promoção que não veio, mas que me impulsionou a ir atrás de novas e melhores oportunidades; a pessoa que eu amava e que me deixou, mas que me deu a chance de encontrar o amor verdadeiro; a demissão que parecia ter me tirado o chão, mas que, mais tarde, me deu asas. Mesmo que às vezes escreva por linhas tortas, mesmo que às vezes desarrume tudo e troque todas as nossas certezas de lugar, Deus sabe exatamente do que a gente precisa, Deus conhece detalhadamente nossas necessidades e esforços diários.

A força maior que você acredita que te rege na vida não trabalha com o acaso. Tudo o que nos acontece, tudo mesmo, tem uma razão. Nada é em vão, por mais difícil que seja enfrentar alguns “nãos”. Portanto, o melhor é deixar acontecer, deixar ser, e não ficar remoendo questões que só atrasam e demonstram um inconformismo sem fim. Não deu, já foi, siga em frente e retire um aprendizado de tudo. O melhor é entregar, aceitar, confiar e agradecer sempre. Não perder tempo desejando o mal, mas centrar-se em você. Buscar novos horizontes e nunca desistir de ser melhor e mais feliz. Se apesar de tanto esforço, o que você tanto deseja não se realizou, acredite: o melhor virá. Talvez você ainda não esteja pronto, talvez você mereça mais, e essa mesma força está cuidando direitinho de você para que saiba receber o resultado dos seus esforços, o que está escrito para ser seu desde que você nasceu. Tem sempre uma coisa boa para acontecer na vida da gente, mesmo que seja difícil de entender ou de aceitar quando ela vem acompanhada do “não deu certo”.

Mas, deu certo, sim. Talvez você se revolte agora, talvez considere tudo isso uma bobagem diante do que enfrenta hoje, mas, acredite: num futuro mais próximo do que você imagina, você vai entender tudo. Você vai compreender “a sorte” que citei acima na frase do Dalai Lama. E, então, vai agradecer.

Aninha Ferreira 
Graduada em Lic. Plena em Letras Língua Portuguesa – UEPB
Email: claudianne_13@hotmail.com
Artigo escrito para Revista EXPRESSO, edição nº 30

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