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A Rainha do Milho


Começam com as homenagens a Santo Antonio, prosseguem com São João e se encerram com o São Pedro. Mas há quem prolongue os festejos juninos e realize o “João Pedro”, celebrando os dois em um, fora das suas datas, quando as bandas de forró custam um pouco menos.

No tempo em que clube era chamado de sodalício eram nesses recintos freqüentados preferencialmente pelos sócios que os bailes se realizavam. Em junho, diante da fartura da canjica e da pamonha, a Rainha do Milho era prèviamente eleita. O romantismo imperava e a Rainha era celebrada como a verdadeira inspiradora da festa que incluíam ainda as “simpatias” e os afilhados consagrados ao redor da fogueira.
Pesquisando as páginas de A União, uma noticia vinda de Bananeiras me chamou a atenção. No inicio daquele mês de junho de 1942 o Bananeiras Clube elegera a sua Rainha do Milho e como madrinha do clube, fora recepcionada por um grupo destacado de sócios. A retribuição a esse gesto de carinho foi um almoço (que se chamava ágape) na residência da Rainha.A escolhida contava na ocasião com 23 anos e com a alegria que a caracteriza, hoje, aos 92 anos costuma presentear os filhos e amigos com quadros que pinta, ocupação que aprendeu na Organização das Voluntárias depois dos 80 anos. A Rainha do Milho de 1942, senhorita Azeneth Bezerra Cavalcanti viria a ser anos depois esposa de Jos& eacute; Antonio Aragão e entre seus filhos, a segunda, Marta Eleonora, seria minha esposa aos 15 anos, vinte anos depois de sua futura mãe ter sido coroada Rainha do Milho.
Agora os festejos juninos ganham espaços públicos e reúnem multidões que se acotovelam ao som do forró, às vezes “de plástico” e às vezes “autêntico” se é que se pode adjetivar pois, para Alceu Valença, “forró é forró, o resto não é”! O evento virou investimento turístico e garantia de redutos eleitorais sedimentados por emendas parlamentares que já conquistaram notoriedade negativa. Quem ajuda na festa é louvado. Quem não destina recursos é execrado, e as celebrações se transformam em verdadeiras disputas políticas consumidas na fogueira das vaidades.

Com dificuldade e com ajuda federal negada em poucas horas, por ser a emenda de autoria de parlamentar fora da base aliada, Bananeiras realizou o Melhor São João Pé de Serra do Mundo, consagrado por Amazan e apresentando a genuína música regional. O Bananeiras Clube reabriu suas portas por algumas horas, durante o dia. No seu dancing lotado por uma juventude efervescente, não mais a imponência do passado quando mandava a Rainha do Milho. Na programação paralela mandou o Forró da Xêta enquanto nas ruas, os “paredões” eram silenciados em defesa do meio ambiente. Quem foi gostou e promete voltar no ano que vem. ( Republico em homenagem à minha sogra, a Rainha do Milho de 1942, que faleceu há dois anos aos 96 anos e, em homenagem ao São João de Bananeiras, hoje um destino turístico respeitado por paraibanos e nordestinos. A cidade realiza um grande evento e, agora, se irmanou com Solânea e Borborema, unindo a tradição e resgatando durante a festa o antigo território do município-mãe. Teremos por lá o verdadeiro forró pé de serra enchendo ruas e praças de gente  bonita e animada. Viva o São João do Brejo)  

Ramalho Leite
Jornalista/Ex-Deputado – Colunista

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