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O declínio das elites regionais


Durante o éculo XIX e o inicio do século XX as elites regionais era formado, em sua grande parte, por grandes fazendeiros, donos de engenhos. Com o desenvolvimento industrial do Brasil que se deu, sobretudo, a partir da segunda metade do século xx, esses senhores do poder aos poucos perdiam seus tronos. A nova lógica burguesa que adentrava na economia brasileira, aos poucos fazia dos engenhos nada mais que um ‘’Fogo morto’’. Neste momento essas elites procuram uma estratégia para reverter ou pelo menos amenizar os efeitos dessa mudança política e social. É neste momento, que se descobre o popular.

Como nos mostrou o historiador Durval Muniz no seu livro A feira dos mitos, os filhos dessas elites tinha possibilidades de estudar nas grandes universidades e ocuparem cargos importantes. Ou seja, havia se formado uma classe de intelectuais com raízes nos antigos engenhos, advindos da Casa grande. São esses intelectuais que vendo os seus passados de glória desaparecer, que inventam uma nova cultura genuinamente popular.

São esses intelectuais que escrevem suas memórias carregadas de saudade daqueles tempos do engenho, das supostas relações benéficas entre senhor e seus trabalhadores. As lembranças da mesa farta, das manhas de sol, e das conversas sobre o som do antigo piano. São os familiares dessa elite que também procuraram enclausura esse passado nos museus e glorificar a chamada ‘’cultura popular’’, uma cultura simples cheia de ‘’crendices populares’’.

Já se foi o tempo. Fazer isso é mumificar e barrar o fluxo natural das culturas. É simplificar. É querer ressuscitar os mortos para legitimar o poder dos vivos. É uma prática desrespeitosa, pois subestima o poder de transformação de uma cultura. É necessário observar as culturas como algo vivo e parar de prende-las em caixões de madeira, ou em outras palavras, nas prateleiras empoeiradas das antigas casas grandes.

Júlio Cesar Miguel
Acadêmico de História
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