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O Borracheiro e o Papa


Algumas pessoas tem a fortuna de adquirir, não sei se gratuitamente, a empatia e a simpatia de seus interlocutores. Ao que parece é o que acontece com o Papa Francisco.

No dia em que ele foi eleito para a Cadeira de São Pedro muitíssimas pessoas que encontrei na rua ou na Igreja, falavam dele com alegria e já com certa familiaridade; algumas até exageraram e exageram na demonstração de certa intimidade chamando-o sem cerimônia, aqui e pelo mundo a fora de Chico; o portar-se de Papa Francisco aproxima e afasta, como Cristo que por sua compaixão para com os desvalidos aproximava e afastava. Só os arrogantes, sábios deste mundo se afastam e no entanto os carentes não se envergonham da aproximação.

O Bispo que “veio do fim do mundo” para Roma encontra diariamente tantos homens e mulheres do fim do mundo, das periferias (a estes Francisco chama carne de Cristo), que realmente “encontrar” vai se tornando imprescindível na transmissão da fé, da esperança e do amor, do Evangelho, da alegria que ninguém pode tirar dos “periféricos”.

Papa Bergoglio tem sua voz, e seu testemunho se não acolhidos e praticados, pelo menos escutado com boa vontade e tolerância por vários setores dentro e sobretudo fora das estruturas de Igreja.

Um dia desses, caminhando pelas ruas da paróquia onde exerço o ministério sacerdotal, fui surpreendido por alguém que me chamava: – “Padre, quero lhe dizer uma coisa!”

 Parei e a pessoa se aproximou – era o borracheiro sujo de tisna e de graxa – de imediato disse-me que estava feliz e com vontade de participar da igreja.

Já o havia notado em alguns momentos de oração e missa na nossa igreja matriz, sobretudo quando da visita da Imagem jubilar de Nossa Senhora Aparecida.

Radiante disse-me: – “Padre Francisco é muito bom e eu gosto dele; depois dele eu estou entendendo que a Igreja é lugar pra mim também.”

O borracheiro entende o que o Papa fala: “misericórdia e eleição”; os outros batizados, mormente os que temos missão específica na Comunidade Cristã temos de entender que “misericordiar” e eleger é a linguagem que chega ao coração dos pequenos.

No encontro-entendimento do Borracheiro com o Papa, o Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Ano Santo de Graça do Senhor, aconteceu para além das grandes celebrações e dos muitos subsídios, num lugar qualquer, numa hora inesperada; o borracheiro amigo do Papa surpreendeu positivamente o seu pároco e entrou pela porta da misericórdia.

Pe. Elias Sales
Administrador Paroquial de Cuitegi/PB
Reitor do Seminário Diocesano São José

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