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Sarna-corrupção


O Brasil está doente! Como sarna, a corrupção se alastrou por vastos setores da sociedade. O campo da política é o mais afetado. Cada dia um novo escândalo, novas denúncias, novas prisões; muita gente sob suspeição. Pelo movimentar-se da conjuntura, a classe que possui poder e dinheiro está como navio sem comandante e com o casco rachado, à deriva, prestes a afundar e, ao que parece à procura de quem lhe salve.

A sarna é uma doença simples, de pele e se pega por contágio; corrupção começa como sarna por ser de pele e se adquire também por contágio, se não tratada ela pode causar danos e se espalhar pelo corpo inteiro. Como enfermidade quase epidêmica a “sarna-corrupção” de hoje tem a sua história e a sua pré-história; ela chegou aqui há muitos anos, nas caravelas, com os descobridores-exploradores e, nas estruturas de poder e de política ela afundou suas raízes.

O mal é tanto que sugere que a Nação seja formada somente por corruptos, basta que se olhe para o que o povo pensa de seus representantes políticos; na cabeça e na boca de grande parte das pessoas “todo político é ladrão” e mesmo que se fale a respeito e se repita isso como uma cantilena, o povo honesto continua elegendo políticos ladrões. É uma sarna!

A corrupção como sarna é um fenômeno, é um movimento, uma dinâmica maligna e maléfica, “tem vida” própria. Como diz o ditado do povo “coceira só que um pé”.

Neste caso seria melhor trocar o substantivo sarna pelo verbo sarnar enquanto ele perpassa com força todos os momentos da história do nosso país. Como verbo ele se conjuga em todos as pessoas e tempos, desde o eu sarnei (passado), eu sarno(presente) e se os “médicos” não forem competentes muitos poderão conjugá-lo no futuro: eu sarnarei…

Num país de católicos e evangélicos, uns sarnarem e outros se deixarem sarnar, é ironia pura, paradoxo sem tamanho.

É evidente que dizendo dessa forma deixe-se no ar uma atmosfera de desesperança! E um cristão será sempre um homem de esperança ou do contrário não pode usar esse nome.

Jesus no Evangelho oferece um medicamento para combater “sarna-corrupção” – Ser salgado, ter sal em si: “Vós sois o sal da terra, se o sal se torna insosso com que o salgaremos? Não servirá para mais nada a não ser para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.” (Mt 5,13); “Tende sal em vós mesmos.” (Mc 9,50). O país está cheio de homens religiosos e que não estão cumprindo sua vocação (dia 17 de abril 2016 Câmara dos Deputados: “voto por Jesus, por Deus, pela família, pela minha igreja” etc.)

O Papa Francisco, “como sal da terra”, nos ajuda a recobrarmos a esperança; a sua pessoa, as suas palavras e decisões são claramente setas a indicar alternativas na procura de remédio para curar as feridas dos sarnentos e devolver-lhes alegria e dignidade (todo sarnado e sarnador por mais que sorria é triste e indigno).

Diz Francisco sobre corrupção e pecado: “a corrupção é o pecado que, em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, é transformado em sistema, torna-se um hábito mental, um modo de viver. O corrupto, é aquele que peca e não se arrepende, aquele que peca e finge ser cristão, …Não nos transformamos de repente em corruptos; existe um longo caminho de declínio… alguém pode ser um grande pecador e, no entanto, pode não ter caído na corrupção”; Para Francisco o que salva os pecadores da corrupção é a abertura ao perdão, o reconhecimento da própria fraqueza, por essa fresta Deus entra (livro: O NOME DE DEUS É MISERICÓRDIA).

O Brasil, esperamos sairá da crise, mas para tanto precisará que reconheçamos nossas fraquezas, descubramos que a doença “sarna-corrupção” começa com uma simples e sutil coceira (na troca do voto por exemplo por um favor qualquer); e com o Papa Francisco nos reconheçamos pecadores e não corruptos, de modo que a misericórdia nos salve.

Pe. Elias Sales
Administrador Paroquial de Cuitegi/PB
Reitor do Seminário Diocesano São José

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