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Metamorfose humana: De animal para ilha


ilhaNão é a liberdade que falta, são as prisões que sobram e preenchem tudo. A doutrinação das redes de telecomunicação, as mensagens supérfluas das redes sociais, o enquadramento obrigatório em sistemas ideológicos- políticos, acadêmicos ou religiosos.

Depois disso somente a luta, a batalha entre prisioneiros, a escolha de qual a pior prisão (E existe nível?) apenas o outro é alienado, apenas o outro é fanático, a razão sempre está conosco, ela habita em uma ilha imaginária em nossa consciência, chamada ignorância, não é utópica como a de Thomas mores, é real ( mesmo que só pra nós ).

Os homens parecem mais com sua época do que com os seus pais, dizia mais ou menos assim, o mártir da ciência histórica. Somos reprodutores natos, presos pela canela, ao nosso tempo, e o que há de errado? Aparentemente nada. Mais a prisão, nos fecha em paredes pequenas, o não entender o outro, acabar por formar discussões eternas, sem fundamento.

As senzalas ainda existem, as Patmos são inúmeras, Jean Delumeau fez um genial livro sobre o medo no ocidente, talvez se ele tivesse estendido mais um pouco a cronologia usada em seu livro, ele tinha preparado um capítulo com o tema ‘’ O medo de escutar e de entender o outro’’, a fobia de não ser senhor da razão, o iluminismo profano, ainda está presente na nossa sociedade, digo profano por que não tem fundamentos, a não ser o de que cada humano é o guardião da razão e os outros são apenas bárbaros, estrangeiro e diferente, habitantes das cavernas de Platão.

Fernando Pessoa projetado alguns séculos além do seu, notou a tendência humana em se tornar ilhas. Tal isolamento vai tirar a comunicação real com o outro.

O progresso (?) tecnológico moderno, que se acelerou a partir do século XVI, culminando na globalização, veio com a proposta, de estreitar os laços, e aumentar a comunicação entre os povos. (Mas o que é comunicação?).

Júlio Cesar Miguel
Acadêmico de História
Contato com a coluna:  julio543543@outlook.com

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