Sob pressão: Marcos Sales se despede do Liberdade de Expressão e recebe solidariedade dos ouvintes

O apresentador do Programa Liberdade de Expressão da Rádio Comunitária Araçá FM da cidade de Mari, Marcos Sales, surpreendeu a todos os ouvintes e a população mariense anunciando na abertura do programa desta segunda-feira (25) seu afastamento do radiofônico.

Em forma de Editorial, Marcos Sales explicou as razões pelas quais o mesmo tomou essa atitude e pediu desculpas a direção da casa por não haver comunicado antecipadamente a sua decisão.

Com a voz embargada e visivelemente emocionado, Marcos Sales fez uma explanação do trabalho realizado durante a sua passagem pelo programa jornalístico, alegando que estaria deixando o programa para preservar a sua família.

Durante o programa os ouvintes ligaram para se solidarizarem com o apresentador. As redes sociais também registraram a solidariedade a Marcos Sales por sua saída do Programa Liberdade de Expressão.

Print de algumas twittadas dos ouvintes durante o programa

Segundo Marcos, sua decisão foi tomada depois que o ex-prefeito de Mari, Marcos Martins foi a uma emissora de rádio de Guarabira e fez duras críticas a emissora comunitária mariense e a ele próprio, excitando indiretamente a violência contra ele. Após a entrevista partidários do ex-prefeito tentaram invadir a Rádio Comunitária Araçá FM no final da manhã da última sexta-feira (22).

Marcos Sales deixou claro que teme ser vítima da violência dos aliados do ex-prefeito que durante tentativa de invasão da rádio na sexta-feira (22) o ameaçaram.

Confira a seguir na íntegra o Editorial do Programa Liberdade de Expressão, onde o apresentador Marcos Sales anuncia seu afastamento do radiofônico:

“Pensei que esta hora não chegasse! Mas no Velho Testamento, no livro de Eclesiastes, está escrito que:
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu;
Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de chorar e tempo de rir; (…)
Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; (…)
Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.”
Essas palavras, dizem os intérpretes da Bíblia, são do rei Salomão.
Digo eu, que estou a procura de tempo de PAZ, por isso anuncio agora aos meus amados diletos e admirados ouvintes que me despeço não da rádio, mas da apresentação do Programa Liberdade de Expressão, onde por durante quase três anos estive, inicialmente co-apresentando ao lado do companheiro Paulo Sérgio e logo em seguida apresentando ao lado do Tiago Silva.
Para mim nada na vida foi fácil, mas confesso que apresentar um programa como este me assustou bastante, pois cheguei já conhecido de muitos aqui de Mari depois de um longo período afastado da cidade, mas não tinha intimidade com tantos atropelos ao ponto de ter minha vida particular vasculhada em todos os sentidos, até doação de contas de campanha  em 2000 e nesses últimos episódios ao ponto de ter a minha vida ameaçada. Dessas adversidades tirei uma grande lição: ter paciência, conviver com a dor, enfrentá-la com coragem ao invés de desistir.  
Alguém já disse que “coragem é a dignidade sob pressão e quando sua dignidade é pressionada, você se altera, multiplica-se, cresce…”. A minha dignidade está sob constante pressão, daí a coragem de reagir a tudo isso, sobre tudo por que ela está sendo pressionada por alguém de caráter duvidoso, que não tem condições éticas de fazê-lo. 
Mais foi aqui, mesmo assustado com a difícil tarefa que nunca fugi da luta, quando fui chamado sempre disse PRESENTE. Os marienses bem lembram da luta por uma moradia digna para os que hoje residem no Loteamento Maria do Amor Divino, da luta contra despejo dos moradores do Walter Martins, pela reabertura do Hospital, pelo transporte gratuito para os universitários, pelo direito de todos poderem concorrer ao conselho tutelar, contra os crimes e assassinatos de tantos jovens marienses, pela segurança pública, contra as obras inacabadas… Foram muitas as lutas travadas por nós.
A Rádio Araçá FM é o oráculo das lamentações humanas, acreditem. Nunca nos furtamos em atender o mais simples apelo que fosse, as necessidades mais simples do cidadão que muitas vezes ao olhar ao seu redor não encontra uma saída para o seu problema, mas sempre ver uma luz na nossa querida e amada Araçá FM. Seja um apelo para suprir uma necessidade dentro de casa, desde a solicitação da prestação do bom serviço pelo poder público.
Lamentavelmente o tempo passou de 2009 pra cá e muitos dos que me chamavam para luta hoje estão lutando contra mim, certamente porque tiveram seus interesses pessoais, políticos e partidários contrariados. A Araçá FM é muito maior do que os interesses pessoais de qualquer cidadão, a Araçá FM é a caixa de ressonância das reivindicações coletivas e seus comunicadores são instrumento de eco destas reivindicações.
O programa Liberdade de Expressão, sinceramente, é de utilidade pública, controle de qualidade de qualquer governo de plantão; uma ameaça a político corrupto que tenta se perpetuar no poder, inclusive com uma mãozinha dos que se dizem apolíticos, éticos e  anti-partidários.
 Amigos, diletos e estimados ouvintes, a minha saída do Liberdade de Expressão é apenas um recuo, porque na vida muitas vezes é necessário dá um passo para trás para poder avançar dois passos a frente. Com ou sem o microfone da Araçá FM persistirei nas lutas em favor das igualdades, ao lado dos excluídos, das minorias, contra as oligarquias familiares mas sempre em defesa dos grupos mais vulneráveis – do negro ao idoso, da dona-de-casa ao pequeno comerciante, do servidor público ao mais combativo estudante.
O episódio acontecido na última sexta-feira (22) me fez pensar muito a cerca desse momento que a cidade de Mari vive hoje. Mais parece uma “guerra santa” daquela que ocorre no oriente médio onde em nome de um determinado ‘deus’, os fanáticos religiosos realizam barbaridades na esperança de que após a sua própria morte viverão no paraíso, cada homem terá dezenas de mulheres e nessa nova vida poderão usufruir de todos os prazeres da carne, mas que para se ter todas essas benesses os radicais religiosos tem um preço alto a pagar nessa vida, muitos transformam-se em “homem bomba” onde morre e mata nessa esperança de chegar ao paraiso.
Vejam meus caros, no Oriente Médio essa “guerra santa” tem ceifado vidas inocentes, espalhado a miséria, a desgraça e a fome entre aqueles pobres homens.
Em Mari, não é muito diferente, as pessoas são capazes de se transformarem, tornando-se pessoas amargas, perversas, brutas, sem coração, sem sentimento ou emoção. Famílias marienses se agridem, brigam, se torturam; amigos se digladiam e a pobre Mari segue dividida prestes a assistir a uma carnificina para defender nome de pessoas e não projetos que possam mudar o estado de miserabilidade que vive a classe mais pobre deste município.
Nos últimos dias a sociedade mariense tem acompanhado atônita episódios extremamente abomináveis no período democrático em que vivemos no país. Um dia é Panfletos apócrifos, no outro é invasão a inauguração, no outro é ataques a blogueiros, radialistas, jornalistas; e a última, que entendo ter sido uma afronta ao estado democrático de direito, foi a invasão a Rádio Comunitária Araçá FM, agressão física e o terror psicológico implantado na cidade com o único intuito de amedrontar a população.
Tudo isso para dizer que essa minha decisão foi baseada justamente nesse clima de “guerra que a cidade vive”. Decidi me afastar do Liberdade de Expressão, que por sinal a decisão é irreversível, sem que nem mesmo a minha família tomasse conhecimento, justamente para preservar meus filhos, esposa, irmãos, meu pai e a minha mãe, pois eles são as principais vítimas. A cada ataque que sofro, a cada calúnia e difamação, a cada agressão eles sofrem muito mais do que eu. 
Aos diretores da Rádio Araçá FM, as minhas desculpas por não comunica-los antecipadamente, não o fiz porque tinha certeza que tentariam me convencer o contrário.
Ao Presidente Ramos, ao vice-presidente Zezinho do Evangelho, aos demais diretores, Marcelo Joaquim, Ricardo Alves, João Antonio, Marizete Vieira, Edmilson Trindade, Romeu do Bar, Marilú Rique, Valdilene Freitas, Seu Biu de Julieta, Silvana Floro, Salete Mendonça… Aos companheiros João Marinho e Simone Tâmara, ao nosso sonoplasta Adriano, ao Nino nosso técnico, enfim a todos os nossos amigos da casa, meu muito obrigado, pela confiança.
Falo agora as vozes rocas das ruas que muitas vezes me fiz representar espalhados pela cidade inteira, são homens e mulheres simples que desejam apenas serem lembrados e respeitados. Do Bairro Vermelho ao Pasto Novo; do José Américo ao Silvino Costa.  Da Baixinha a Taumatá, toda a zona rural sintam-se todos abraçados.
Aos milhões de amigos que aqui conquistei… tenham a certeza que vou querendo ficar. Prefiro calar por um instante do que ser forçado a me calar para sempre! As circunstancias me impedem de continuar, levo todos vocês no coração.
Encerro aqui esse meu relato, podemos dizer, de prestação de contas já com saudade desse contato direto com os ouvintes, seja pelo telefone, seja pelas redes sócias com o poema de Pinto do Monteiro (se não estou enganado) que diz:
Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade, é lembrança
saudade só é saudade
quando morre a esperança 
Muito obrigado meu amado povo mariense! A gente ainda se encontra nas ruas, nas comunidades onde o nosso povo experimenta um cotidiano amargo…
Mas logo em breve estaremos nos encontrando nas ondas do rádio. ACREDITE!” 
Da Redação 
Do Expresso PB
Categoria:

Deixe uma resposta

Facebook
Twitter

É proibida a reprodução total ou parcial deste site. CNPJ: 10.962.007/0001-48