Diz um adágio popular que “ao fazermos mal ao próximo, o nosso pode estar a caminho”. Concordo em gênero, número e grau.
O momento vivido hoje em nossa querida Mari materializa para todos nós o que até então se tornava abstrato no adágio mencionado acima.
Fiz essa introdução, para poder voltar ao passado e reavivar a memória dos que por ventura estejam esquecidos, mas que nesse momento deveriam parar um pouco para fazer uma reflexão sobre a situação ora vivida, pois se assim fizerem vão perceber que o mal que dizem estarem sendo vitimas hoje já o fizeram a alguém em um passado não muito distante.
A história política de Mari nunca foi de extrema calmaria, mas também nunca foi de extrema tempestade como nos últimos anos, após a ascensão de uma determinada figura política ao topo do poder local.
O líder, que em determinado momento da história, teve a ousadia de mentalizar (digo mentalizar porque não se materializou tal idéia) a construção de uma estátua em sua própria homenagem, dando-lhe seu próprio nome precedido apenas da palavra “santo”, reinou absoluto e governou seu povo com mão de ferro. Manteve-se no topo do poder impecavelmente como nenhum outro líder nesses pouco mais de 50 anos de existência dessa terra, mandando, exonerando, transferindo, demitindo, injuriando e perseguindo.
Os seus opositores, coitados, foram feitos refém de um poder perverso que só servia ao líder e a poucos apadrinhados que, diga-se de passagem, eram seus próprios seus familiares, porque os outros, mesmo aliados, só tinham direito as migalhas e as sobras da família real.
Os súditos do líder tinham a missão de atacar seus opositores sob ordem expressa de exterminar o adversário sem garantir-lhe se quer o sagrado direito de defesa.
Ao povo (ia até esquecendo estes) o líder oferecia a famosa política do “pão e circo”. De dia esmola e de noite diversão pra esquecer a fome, com direito a muito aperitivo. Nada contra o aperitivo, até sou um admirador dele (risos). Mas a estratégia do líder era mesmo manter o povo na alucinação para que eles esquecessem que tinham direito a moradia digna, saúde humanizada, educação pública e de qualidade, trabalho…
Quanta perversidade do líder contra aqueles que sempre lhe renderam graças!
Eis que o tempo fez o mundo girar, e como dizem aqui pelo interior nada melhor do que um dia após outro e uma noite no meio… O mundo deu voltas e em uma delas a máscara do líder caiu e seus súditos, subordinados e aliados viram o líder do jeito que ele realmente é. Daí resolveram lhe tratar da mesma forma como foram tratados durante seu longo império.
Hoje o líder se encontra como os seus opositores em outrora. Ele esqueceu que na roda da vida cada um tem a sua vez. E agora é a sua.
Do líder, só resta lembranças… Há ainda aqueles que preferem esquecê-lo…
Marcos Sales Editor Chefe - Expresso PB



